sexta-feira, 7 de maio de 2010

Romance de Ítalo Calvino

Você vai começar a ler o novo romance de Italo Calvino, Se um viajante numa noite de inverno. Relaxe. Concentre-se. Afaste todos os outros pensamentos. Deixe que o mundo a sua volta se dissolva no indefinido. É melhor fechar a porta; do outro lado há sempre um televisor ligado. Diga logo aos outros: "Não, não quero ver televisão!". Se não ouvirem, levante a voz: "Estou lendo! Não quero ser perturbado!". Com todo aquele barulho, talvez ainda não o tenham ouvido; fale mais alto, grite: "Estou começando a ler o novo romance de Italo Calvino!". Se preferir, não diga nada; tomara que o deixem em paz.

Escolha a posição mais cômoda: sentado, estendido, encolhido, deitado. Deitado de costas, de lado, de bruços. Numa poltrona, num sofá, numa cadeira de balanço, numa espreguiçadeira, num pufe. Numa rede, se tiver uma. Na cama, naturalmente, ou até debaixo das cobertas. Pode também ficar de cabeça para baixo, em posição de ioga. Com o livro virado, é claro.
Com certeza, não é fácil encontrar a posição ideal para ler. Outrora, lia-se em pé, diante de um atril. Era hábito permanecer em pé, parado. Descansava-se assim, quando se estava exausto de andar a cavalo. Ninguém jamais pensou em ler a cavalo; agora, contudo, a idéia de ler na sela, com o livro apoiado na crina do animal, talvez preso às orelhas dele por um arreio especial, parece atraente a você. Com os pés nos estribos, deve-se ficar bastante confortável para ler; manter os pés levantados é condição fundamental para desfrutar a leitura.

Pois bem, o que está esperando? Estique as pernas, acomode os pés numa almofada, ou talvez duas, nos braços do sofá, no encosto da poltrona, na mesinha de chá, na escrivaninha, no piano, num globo terrestre. Antes, porém, tire os sapatos se quiser manter os pés erguidos; do contrário, calce-os novamente. Mas não fique em suspenso, com os sapatos numa das mãos e o livro na outra.

Regule a luz para que ela não lhe canse a vista. Faça isso agora, porque, logo que mergulhar na leitura, não haverá meio de mover-se. Tome cuidado para que a página não fique na sombra – um amontoado de letras pretas sobre um fundo cinzento, uniformes como um bando de ratos –; mas esteja atento para não receber uma luz demasiado forte que, ao refletir-se no branco impiedoso de papel, corroa a negrura dos caracteres como a luz do meio-dia mediterrâneo. Procure providenciar tudo aquilo que possa vir a interromper a leitura. Se você fuma, deixe os cigarros e o cinzeiro ao alcance da mão. O que falta ainda? Precisa fazer xixi? Bom, isso é com você.

Não que você espere algo de especial deste livro em particular. Você é daquelas pessoas que, por princípio, já não esperam nada de nada. Há tanta gente, mais jovem ou mais velha que você, que vive à espera de experiências extraordinárias – dos livros, das pessoas, das viagens, dos acontecimentos, de tudo que o amanhã guarda em si. Você não. Você já aprendeu que o melhor que se pode esperar é evitar o pior. É essa a conclusão a que chegou, tanto na vida privada como nas questões gerais e nos problemas do mundo. E quanto aos livros? Aí está: justamente por ter renunciado a tantas coisas, você acredita que seja certo conceder a si mesmo o prazer juvenil da expectativa num âmbito bastante circunscrito, como este dos livros, em que as coisas podem ir bem ou mal, mas em que o risco da desilusão não é grave.

Pois então você leu num jornal que foi lançado Se um viajante numa noite de inverno, o novo livro de Italo Calvino, que não publicava nada havia vários anos. Passou por uma livraria e comprou o volume. Fez bem.

Já logo na vitrine da livraria, identificou a capa com o título que procurava. Seguindo essa pista visual, você abriu caminho na loja, através da densa barreira dos Livros Que Você Não Leu que, das mesas e prateleiras, olham-no de esguelha tentando intimidá-lo. Mas você sabe que não deve deixar-se impressionar, pois estão distribuídos por hectares e mais hectares os Livros Cuja Leitura É Dispensável, os Livros Para Outros Usos Que Não a Leitura, os Livros Já Lidos Sem Que Seja Necessário Abri-los, pertencentes que são à categoria dos Livros Já Lidos Antes Mesmo De Terem Sidos Escritos. Assim, após você ter superado a primeira linha de defesas, eis que cai sobre sua pessoa a infantaria dos Livros Que, Se Você Tivesse Mais Vidas Para Viver, Certamente Leria De Boa Vontade, Mas Infelizmente Os Dias Que Lhe Restam Para Viver Não São Tantos Assim. Com movimentos rápidos, você os deixa para trás e atravessa as falanges dos Livros Que Tem A Intenção De Ler Mas Antes Deve Ler Outros, dos Livros Demasiado Caros Que Podem Esperar Para Ser Comprados Quando Forem Revendidos Pela Metade Do Preço, dos Livros Idem Quando Forem Reeditados Em Coleções De Bolso, dos Livros Que Poderia Pedir Emprestados A Alguém, Dos Livros Que Todo Mundo Leu E É Como Se Você Também Os Tivesse Lido. Esquivando-se de tais assaltos, você alcança as torres do fortim, onde ainda resistem

Os Livros Que Há Tempos Você Pretende Ler, os Livros Que Procurou Durante Vários Anos Sem Ter Encontrado, os Livros Que Dizem Respeito A Algo Que O Ocupa Neste Momento, os Livros Que Deseja Adquirir Para Ter Por Perto Em Qualquer Circunstância, os Livros Que Gostaria De Separar Para Ler Neste Verão, os Livros Que Lhe Faltam Para Colocar Ao Lado De Outros Em Sua Estante, os Livros Que De Repente Lhe Inspiram Uma Curiosidade Frenética E Não Claramente Justificada.

Bom, foi enfim possível reduzir o número ilimitado de forças em campo a um conjunto certamente muito grande, conquanto calculável num número finito, embora esse alívio relativo seja solapado pelas emboscadas dos Livros Que Você Leu Há Muito Tempo E Que Já Seria Hora De Reler e dos Livros Que Sempre Fingiu Ter Lido E Que Já Seria Hora De Decidir-se A Lê-los Realmente.

Você se livra com rápidos ziguezagues e, de um salto, penetra na cidadela das Novidades Em Que O Autor Ou O Tema São Atraentes. Uma vez no interior dessa fortaleza, pode abrir brechas entre as fileiras de defensores e dividi-los em Novidades De Autores Ou Temas Já Conhecidos (por você ou por todos) e Novidades De Autores Ou Temas Completamente Desconhecidos (ao menos por você) e definir a atração que eles exercem sobre você segundo suas necessidades e desejos de novidade e não-novidade (da novidade que você busca no não-novo e do não-novo que você busca na novidade).

Tudo isso para dizer que, após ter percorrido rapidamente com o olhar os títulos dos volumes expostos na livraria, você se dirigiu a uma pilha de exemplares recém-impressos de Se um viajante numa noite de inverno, pegou um e o levou ao caixa para ver reconhecido o seu direito de possuí-lo.

Você ainda lançou sobre os livros em redor um olhar desgarrado (ou melhor: os livros é que o olharam com um olhar perdido como o dos cães nos cercados do canil municipal quando vêem um ex-companheiro ser levado na coleira pelo dono que veio resgatá-lo) e, enfim, saiu.
Um livro recém-publicado lhe dá um prazer especial, não é apenas o livro que você está carregando, é também a novidade contida nele, que poderia ser apenas a do objeto saído há pouco da fábrica, é a beleza diabólica com a qual os livros se adornam, que dura até que a capa amarelece, até que um véu de poeira se deposita nas bordas das folhas e os cantos da lombada se rasgam, no breve outono das bibliotecas. Você espera encontrar sempre a novidade verdadeira, que tendo sido novidade uma vez continue a sê-lo para sempre. Ao ler um livro recém-saído, você se apropria dessa novidade do primeiro instante, sem precisar depois persegui-la, encurralá-la. Será desta vez que isso acontecerá? Nunca se sabe. Vejamos como o livro começa.
Talvez você o tenha folheado ainda na livraria. Ou talvez não, porque ele estava envolto em celofane. Agora você está num ônibus, em pé, no meio de muita gente, pendurado à barra de apoio por um dos braços, e com a mão que está livre você começa a desfazer o embrulho; seus gestos são simiescos, como os de um macaco que deseja ao mesmo tempo descascar uma banana e manter-se agarrado ao galho. Cuidado, você está acotovelando os vizinhos; ao menos peça desculpas.

Talvez o vendedor da livraria não tenha embrulhado o livro, apenas o tenha colocado numa sacola. Isso simplifica as coisas. Você está ao volante do carro, parado num semáforo, tira o livro da sacola, arranca o invólucro transparente, começa a ler as primeiras linhas. Você é atingido por uma tempestade de buzinas; abriu o sinal, e você está obstruindo o trânsito.

Você está sentado a sua mesa de trabalho, e o livro por acaso está ali entre os papéis do escritório; em dado momento você afasta um dossiê, e o livro surge bem debaixo de seus olhos; você o abre com ar distraído, apóia os cotovelos na mesa, encosta os punhos nas têmporas e parece estar concentrado no exame de um caso, mas na verdade explora as primeiras páginas do romance. Depois, pouco a pouco, encaixa a coluna vertebral no espaldar, ergue o livro até a altura do nariz, inclina a cadeira para trás equilibrando-a nas pernas posteriores, abre uma gaveta lateral da escrivaninha para apoiar os pés – a posição dos pés durante a leitura é da maior importância – ou, ainda, estica as pernas e as apóia na mesa, sobre os processos não resolvidos.
Mas isto não lhe parece uma falta de respeito? De respeito, entenda bem, não para com o trabalho (ninguém pretende julgar seu rendimento profissional; vamos pressupor que suas tarefas sejam regularmente inseridas no sistema das atividades improdutivas que ocupam boa parte da economia nacional e mundial), mas para com o próprio livro. Pior ainda se você pertence – por amor ou obrigação – àquele grupo de pessoas para as quais é coisa séria trabalhar, realizar – intencionalmente ou não – uma atividade necessária – ou pelo menos útil – tanto para os outros como para si mesmo; nesse caso o livro que você levou para o local de trabalho como uma espécie de amuleto ou talismã o expõe a tentações intermitentes que a cada vez subtraem alguns segundos do objeto primeiro de sua atenção, seja este uma perfuradora de cartões, seja os queimadores de um fogão, seja as alavancas de comando de um buldôzer, seja um paciente deitado com as vísceras expostas numa mesa de cirurgia.

Em suma, é preferível que você ponha um freio a essa impaciência e aguarde para abrir o livro quando estiver em casa. Aí sim. No quarto, tranqüilo, você abre o livro na primeira página – não, na última, ante você quer saber a extensão dele. Não, por sorte não é muito longo. Hoje em dia, escrever romances longos é um contra-senso: a dimensão do tempo foi estilhaçada, não conseguimos viver nem pensar senão em fragmentos de tempo que se afastam, seguindo cada qual sua própria trajetória, e logo desaparecem. A continuidade do tempo só pode ser reencontrada nos romances da época em que o tempo, conquanto não parecesse imóvel, ainda não se estilhaçava. Um período de cerca de cem anos.

Revire o livro entre as mãos, percorra o texto da contracapa, das orelhas, são frases genéricas que não dizem muito. Melhor isso que um discurso que pretenda sobrepor-se de forma indiscreta àquele que o livro deve comunicar diretamente, àquilo que, pouco ou muito, você mesmo extrairá dele. É certo que essa passeio ao redor do livro – ler o que está fora antes de ler o que está dentro – também faz parte do prazer da novidade, mas, como todo prazer preliminar, este também deve durar um tempo conveniente e pretender apenas conduzir ao prazer mais consistente, à consumação do ato, isto é, à leitura do livro propriamente dito.

Agora sim, você está pronto para devorar as primeiras linhas da primeira página. Está preparado para reconhecer o inconfundível estilo do autor. Não você não o está reconhecendo. Mas, pensando bem, quem afirmou que este autor tem estilo inconfundível? Pelo contrário: sabe-se que é um autor que muda muito de um livro para outro. E é justamente nessas mudanças que se pode reconhecê-lo. No entanto, parece que este livro nada tem a ver com os outros que ele escreveu, pelo menos com aqueles dos quais você se lembra. Está desapontado? Vejamos. De início você talvez experimente certo desnorteamento, como o que sobrevém quando somos apresentados a uma pessoa que pelo nome parecia identificar-se com determinada fisionomia, mas que, ao tentarmos fazer coincidir os traços do rosto que vemos com os daquele de que nos lembramos, percebemos não combinar. Mas depois você prossegue na leitura e percebe que de algum modo o livro se deixa ler, independentemente daquilo que você esperava do autor. O livro é o que desperta sua curiosidade; pensando bem, você até prefere que seja assim, deparar com algo que ainda não sabe bem o que é.

Se um viajante numa noite de inverno, de Ítalo Calvino...

ATIVIDADES:

1) Criando uma nova linguagem:

Exercício: Abaixo estão quatro frases diferentes.

Na ordem crescente das frases: criar um uma escrita em forma de um ideograma simples (sumério) para a primeira. Para a segunda frase um ideograma complexo como o egípcio. Para a terceira um ideograma que represente uma idéia abstrata e para o quarto uma linguagem nova que não seja baseada no alfabeto grego.

- a Bebemos água e dormimos numa cama de palha.
- b As mulheres lavam, cozinham e trabalham.
- c A alegria tomou conta da vida de casado.
- d Vivemos num novo tempo em que há domínio da escrita.

2) Leia os textos abaixo e comente sobre cada um deles:


ا ب ت ث ج ح خ د ذ ر ز س ش ص ض ط ظ ع غ ف ق ك ل م ن ه و ى ء


А Б В Г Ґ Д Ђ Ѓ Е Ё Є Ж Ѕ З И І Ї Й Ј К Л Љ М Н Њ О П Р С Т Ћ Ќ У Ў Ф Х Ц Ч Џ Ш Щ Ъ Ы Ь Э Ю Я



No final da Dança o Rei Nataraja soa o tambor 59 vezes!


4) Leia o texto atentamente

A verdadeira droga da obediência

-- Não saia do seu quarto até a janta.

A mamãe estava brava. E era assim que ela descontava na gente. Dava lições de moral e castigos injustos. Era a ditadura das mães. Vigiar e punir.
Sentei-me na cama. Folheei algumas revistas de games, depois de ciências. Duas coisas que eu adorava, jogos e ciências. O resto parecia bobagem, soava como tolice. Nunca me interessei pela Grécia, Roma, Cartago, nem nada sobre o mundo antigo. Embora eu soubesse que fazia sentido ler no passado erros que poderíamos evitar no futuro. Meu mundo não era a política e sim a lógica do querer. E eu só queria sair com uns amigos, porque tínhamos combinado na escola que veríamos um filme no cinema. Depois de um deslize meu sobre respeitar horários da casa, decidiram que eu não iria mais sair e seguindo essa lógica eu estava uma fera. É a droga da obediência.
Era horrível depender das decisões de outros para que as minhas fossem aceitas e cumpridas. No dicionário isso se chama burocracia, na minha cabeça era o tédio das longas conversas com os pais sobre os direitos que dependiam dos deveres, embora, para mim, eram duas coisas completamente distintas.
Abri a janela do quarto. O sol se punha no horizonte. Ouvi o telefone tocar na sala e me pus atrás da porta pra ouvir alguma coisa.

-- Não. Ele não vai mais. Tudo bem, eu dou o recado.

Eu morri naquela hora. Senti no coração um misto de dor, ódio e compaixão. Dor de perder a chance de beijar a garota mais cobiçada da sala, ódio pela punição de algo que não fiz, não propositalmente e compaixão pela minha mãe que nada sabia sobre o meu universo. Aliás, nunca estabelecemos uma conversa amigável. Eram sempre brigas e discussões. Quando Dona Vanda não me castigava, meu pai me batia de cinto. Mesmo depois de crescido eram minhas únicas opções: surra ou castigo. Nunca tive escolha. Não até aquele momento. Sentei no chão e chorei como um jovem desgraçado.
-- Passa a salada. – pediu-me papai.
-- Querido, você pagou a conta de luz?
-- Paguei e paguei caro.
-- É meu bem, pensa que é fácil ter família?
-- Ah cala essa maldita da boca. Se não fosse esse moleque o dia todo no videogame não estaríamos pagando tão caro. – papai bateu-me de novo na cabeça. Ele achava que meu crânio era um saco de areia.
-- Eu te avisei Lucio que ia contar pro seu pai. Você precisa ser mais prudente.
-- É e comer menos também, essa barriga dá muito gasto. – Victor me fitou com seus olhos frios enquanto me apontava com a faca.
-- Não exagera Victor, o menino ta em fase de crescimento.
Papai chegou bêbado no dia seguinte, bateu em mim e em minha mãe até ficarmos de cama. Desde então nunca mais nos vimos.

Exercícios:

1) Quantos personagens apareceram na história?
2) Quem era o pai?
3) Quem era a mãe?
4) Quem era o filho?
5) Como Lúcio via a atitude da mãe em colocá-lo de castigo?
6) Em qual fase da vida estava Lúcio?
7) O narrador faz referência a uma disciplina que não gosta e a uma que gosta, quais seriam elas?
8) O que é “a droga da obediência”?


Analise todas as questões e as classifiquem em: antecipação de informação, inferências (ler nas entrelinhas), relação entre textos, localização de informação e ativação de conhecimentos prévios.

ALFABETIZAR + ALFABETIZAÇÃO = FUNÇÃO SOCIAL

Conceito: ensinar a ler e escrever. Tornar o indivíduo capaz codificar e decodificar os códigos da linguagem...

alfabet + izar

Alfa(primeira letra do alfabeto grego)
+
Beta(segunda letra do alfabeto grego)

Sufixo indica: tornar, fazer com que.
Ação de alfabetizar, de tornar “alfabético”.

ALFABETIZAÇÃO

alfabet + iza + ção

-ção: sufixo que forma substantivos
indica: ação ou processo.
Ex.: traição: ação de trair. Infração: ação de infracionar.


1) Quando começam as primeiras experiências da criança com a língua escrita?
2) Quais são essas experiências?
3) Quais são as primeiras associações que a criança faz em relação à língua escrita e ao seu meio?

História da Pedagogia:

• Grécia Antiga: referência dualística em relação à pedagogia.
• De um lado a ética e a moral que guia a atividade educativa e está intrinsecamente ligada à filosofia;
• Do outro o sentido empírico e prático: meio, caminho e condução da criança à vida.
• Século XVII: Comenius une as duas vertentes, tal qual Bacon une a ciência.

EDUCAÇÃO TRADICIONAL: TEORIA CONDUTISTA

• Associacionismo: associações como aspecto essencial da aprendizagem, já elencado por Platão e Aristóteles.
• Reducionismo: causa e efeito, o indivíduo acaba se adequando ao seu meio.
• Determinismo: tudo está pré-determinado segundo a ordem natural das coisas.
• Os princípios de aprendizagem não se aplicam a todas as condutas individuais por fatores biológicos ou ambientais.
• Ivan Pavlov (1849): a aprendizagem se dá pelo estímulo-resposta ou reflexos involuntários.
• Daí surgem os modelos normativos.
• No Brasil o processo de alfabetização pressupunha que a apreensão do conhecimento só teria êxito e eficácia se o educando começasse frequentar a escola aos 7 anos de idade.
• Aprendizados a partir de preparos, ritos e pré-requisitos que a exercitem (repetição).
• Ler e escrever: resultado final de um processo instrucional condicionado.

PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA

• Apresenta uma nova visão da aprendizagem, entendendo-a como um processo contínuo de desenvolvimento.
• As aprendizagens dadas durante o período dos três aos seis anos fazem parte do processo de alfabetização.
• EMÍLIA FERREIRO E ANA TEBEROSKY: “Nenhum sujeito parte do zero ao ingressar na escola de ensino fundamental, nem sequer as crianças de classe baixa, os desfavorecidos de sempre”.
• ESCOLAS PIAGETIANAS: A construção do conhecimento não se inicia na escola, ela não é o marco, é o meio, pois o caminho se difere do processo pressuposto pela escola.
• A escrita, a leitura e a linguagem oral não se desenvolvem separadamente, mas atuam de maneira interdependente desde a mais tenra idade.
• - A alfabetização inicial não é um processo abstrato, mas ocorre em contextos culturais e sociais determinados.
• - Dois tipos de conhecimento interativo fazem parte das primeiras experiências com a linguagem escrita por natureza:

* Os conhecimentos elaborados pela criança a partir da interação com os leitores e o material escrito.
* Os conhecimentos socialmente transmitidos pelos adultos e assimilados pela criança.

A criança interage com inúmeros conjuntos de saberes e sentidos que aguçam todas as suas percepções.
“O pensamento não é simplesmente expresso em palavras, é por meio delas que ele passa a existir.” (Vygotsky).

MÉTODO FÔNICO (Bloomfield):

A criança aprende a reproduzir os sons escutados no ambiente: o uso e as funções da linguagem são descartados. Ênfase ao som e a soletração.
Só se aprenderá a função da escrita depois de dominá-la usando padrões regulares como a repetição e a silabação.


MÉTODO ANALÍTICO (Nicolas Adam):

• O sentido não é deixado mais de lado.
• A criança não reconhece a palavra sem reconhecer a sua unidade mínima.
• Significado afetivo e efetivo.
• Sentenciação: forma-se a oração e depois desmembra em palavras, sílabas e letras.
• Descobrir o que está escrito através da leitura (lendo) e não por decifração.

A PEDAGOGIA NO BRASIL:

• 1549 – 1599: Pedagogia Brasílica e Ratio Studiorum (1599 – 1759);
• Pedagogia Pombalina 1759 – 1834: Trazida por Marquês de Pombal o modelo português.
• O termo pedagogia só será usado depois da reabertura do parlamento em 1826.
• Lei de Ensino de Januário da Cunha Barbosa: educação distribuída em quatro graus. O primeiro, chamado de “pedagogias” – ensino básico. (1817).

COMPETÊNCIAS DA LINGUAGEM

• ESCUTAR
• FALAR
• LER
• ESCREVER

UNIDADES LINGUÍSTICAS:


• TEXTO
• FRASE
• PALAVRAS
• LETRAS

QUAIS SÃO OS PRIMEIROS CONTATOS DA CRIANÇA COM A LEITURA?

• A prática de ler ou ouvir histórias
• A interação com o material impresso de tipo urbano e doméstico.
• A leitura do jornal.
• A leitura e a escrita em ambientes informatizados.


AMBIENTE ALFABETIZADOR:

• Ambiente que promove situações reais onde a criança aprender a usar a leitura e a escrita, interagindo com seu ambiente através dos códigos da linguagem e suas funções.


LEITURA:

• É organizada de forma atraente, num ambiente aconchegante, livros de diversos gêneros, de diferentes autores, revistas, histórias em quadrinhos, jornais, suplementos, trabalhos de outras crianças, etc.


JOGOS DE ESCRITA:

• No ambiente criado para os jogos de mesa, podem se oferecer jogos gráficos, como caça palavras, forca, cruzadinhas, etc. Nesses casos convém deixar a disposição das crianças cartelas com letras, letras movéis, etc. Em casa pode-se brincar de baú do tesouro, adivinhação, mímica, etc.

LETRAMENTO (LITERACY):

• “Formar é muito mais que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas e ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.(PAULO FREIRE).
• “Ler não é decifrar, escrever não é copiar” (EMÍLIA FERREIRO).
• Sociedades grafocêntricas: o letramento está diretamente ligado às sociedades letradas, ou seja, sociedades organizadas em torno de um sistema de escrita. (Mortatti, 2004).
• Magda Soares: “novas demandas sociais de uso da leitura e da escrita exigiram uma nova palavra para designá-la.”
• Literacy: do latim littera (letra) com sufixo -cy que significa qualidade, condição, estado de ser.
• Letramento: também do latim littera (letra) e adicionado o sufixo –mento que significa ação.
• Resultado de uma ação de ensinar e aprender: letramento.
• Letramento: estado ou condição de letrado, o que não significa um letrado ser exatamente erudito.
• O que é um analfabeto?
• O que é um analfabeto funcional?
• O que é um analfabeto político?
• Alfabetizar letrando ou letrar alfabetizando?
• A ação socializadora da escola ainda pode ser vista como um aprendizado crescente ou o indivíduo se torna ator diante da diversidade, onde ele mesmo constrói o sentido e a história de sua existência?
• Dubet e a desinstitucionalização das instituições cuidadoras do próximo.

- Antes da ligação entre pensamento e linguagem, devemos lembrar de dois processos primordiais:

Filogênese: a história das espécies.
Ontogênese: a história do indivíduo.

“Existe a história do pensamento separado da linguagem e a história da linguagem separada do pensamento.”

Filogênese <--------------------------------> Ontogênese

Quando as duas trajetórias se encontram, o pensamento fica verbal e a linguagem, racional (...) – Ana Paula Carneiro Renesto, 2009.

• “Não há dúvidas de que a memória é o estômago da mente. Da mesma forma que o alimento é trazido à boca pela ruminação, assim as coisas são trazidas da memória pela lembrança”. (Santo Agostinho)
• Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos seu processo mental. Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. (Arthur Schopenhauer)
• “Existe um mundo que acontece pelo desenrolar lógico da história, em toda a sua crueza e insensibilidade. Mas há um mundo igualmente concreto que nasce dos sonhos: A Pietà de Michelângelo, o Beijo, de Rodin, as telas de Van Gogh e Monet, as músicas de Tom Jobim, os livros de Guimarães Rosa e Saramago, as casas, os jardins, as comidas: eles existiram primeiro como sonho, antes de existirem como fato. Quando os sonhos assumem forma concreta, surge a beleza.” (Rubem Alves)


PESQUISA REALIZADA COM LEITORES E NÃO-LEITORES: INFLUÊNCIAS NA PRÁTICA LEITORA.

• 49% - Mãe ou responsável Mulher;
• 33% - Professora;
• 30% - Pai ou responsável homem.
• Mais de 60% presenciaram familiares lendo.
• 55% dos não leitores nunca viram nenhum familiar lendo e nunca se interessaram.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:



FERREIRA, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artmed, 1999.

FERREIRA, Emília. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, Autores Associados, 1988.

SOARES, Magda. As muitas facetas da alfabetização. São Paulo: CEALE/Autêntica, 1998.

SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 2004.

ROCHA, Eloisa Aires Cabral. A pesquisa em educação infantil no Brasil: trajetória recente e perspectivas de consolidação de uma pedagogia. 1999. TESE (Doutorado em Educação), Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1999.

REDIN, Euclides. Atendimento à criança pequena no Brasil. Idéias. São Paulo, FDE, 1988.

PALHARES, Marina Silveira, MARTINEZ, Cláudia Maria Simões. A educação infantil: uma questão para o debate. In: FARIA, Ana Lúcia Goulart de, PALHARES, Marina Silveira (Orgs.) Educação infantil pós LDB: rumos e desafios. Campinas: Autores Associados, FE/UNICAMP; São Carlos: Editora UFSCar, Florianópolis, Editora da UFSC, 2000.

NICOLAU, Marieta Lúcia Machado; DIAS, Marina Célia Moraes (Orgs.). Oficinas de sonhos e realidade na formação do educador da infância. Campinas: Papirus, 2003.