Conceito: ensinar a ler e escrever. Tornar o indivíduo capaz codificar e decodificar os códigos da linguagem...
alfabet + izar
Alfa(primeira letra do alfabeto grego)
+
Beta(segunda letra do alfabeto grego)
Sufixo indica: tornar, fazer com que.
Ação de alfabetizar, de tornar “alfabético”.
ALFABETIZAÇÃO
alfabet + iza + ção
-ção: sufixo que forma substantivos
indica: ação ou processo.
Ex.: traição: ação de trair. Infração: ação de infracionar.
1) Quando começam as primeiras experiências da criança com a língua escrita?
2) Quais são essas experiências?
3) Quais são as primeiras associações que a criança faz em relação à língua escrita e ao seu meio?
História da Pedagogia:
• Grécia Antiga: referência dualística em relação à pedagogia.
• De um lado a ética e a moral que guia a atividade educativa e está intrinsecamente ligada à filosofia;
• Do outro o sentido empírico e prático: meio, caminho e condução da criança à vida.
• Século XVII: Comenius une as duas vertentes, tal qual Bacon une a ciência.
EDUCAÇÃO TRADICIONAL: TEORIA CONDUTISTA
• Associacionismo: associações como aspecto essencial da aprendizagem, já elencado por Platão e Aristóteles.
• Reducionismo: causa e efeito, o indivíduo acaba se adequando ao seu meio.
• Determinismo: tudo está pré-determinado segundo a ordem natural das coisas.
• Os princípios de aprendizagem não se aplicam a todas as condutas individuais por fatores biológicos ou ambientais.
• Ivan Pavlov (1849): a aprendizagem se dá pelo estímulo-resposta ou reflexos involuntários.
• Daí surgem os modelos normativos.
• No Brasil o processo de alfabetização pressupunha que a apreensão do conhecimento só teria êxito e eficácia se o educando começasse frequentar a escola aos 7 anos de idade.
• Aprendizados a partir de preparos, ritos e pré-requisitos que a exercitem (repetição).
• Ler e escrever: resultado final de um processo instrucional condicionado.
PERSPECTIVA CONSTRUTIVISTA
• Apresenta uma nova visão da aprendizagem, entendendo-a como um processo contínuo de desenvolvimento.
• As aprendizagens dadas durante o período dos três aos seis anos fazem parte do processo de alfabetização.
• EMÍLIA FERREIRO E ANA TEBEROSKY: “Nenhum sujeito parte do zero ao ingressar na escola de ensino fundamental, nem sequer as crianças de classe baixa, os desfavorecidos de sempre”.
• ESCOLAS PIAGETIANAS: A construção do conhecimento não se inicia na escola, ela não é o marco, é o meio, pois o caminho se difere do processo pressuposto pela escola.
• A escrita, a leitura e a linguagem oral não se desenvolvem separadamente, mas atuam de maneira interdependente desde a mais tenra idade.
• - A alfabetização inicial não é um processo abstrato, mas ocorre em contextos culturais e sociais determinados.
• - Dois tipos de conhecimento interativo fazem parte das primeiras experiências com a linguagem escrita por natureza:
* Os conhecimentos elaborados pela criança a partir da interação com os leitores e o material escrito.
* Os conhecimentos socialmente transmitidos pelos adultos e assimilados pela criança.
A criança interage com inúmeros conjuntos de saberes e sentidos que aguçam todas as suas percepções.
“O pensamento não é simplesmente expresso em palavras, é por meio delas que ele passa a existir.” (Vygotsky).
MÉTODO FÔNICO (Bloomfield):
A criança aprende a reproduzir os sons escutados no ambiente: o uso e as funções da linguagem são descartados. Ênfase ao som e a soletração.
Só se aprenderá a função da escrita depois de dominá-la usando padrões regulares como a repetição e a silabação.
MÉTODO ANALÍTICO (Nicolas Adam):
• O sentido não é deixado mais de lado.
• A criança não reconhece a palavra sem reconhecer a sua unidade mínima.
• Significado afetivo e efetivo.
• Sentenciação: forma-se a oração e depois desmembra em palavras, sílabas e letras.
• Descobrir o que está escrito através da leitura (lendo) e não por decifração.
A PEDAGOGIA NO BRASIL:
• 1549 – 1599: Pedagogia Brasílica e Ratio Studiorum (1599 – 1759);
• Pedagogia Pombalina 1759 – 1834: Trazida por Marquês de Pombal o modelo português.
• O termo pedagogia só será usado depois da reabertura do parlamento em 1826.
• Lei de Ensino de Januário da Cunha Barbosa: educação distribuída em quatro graus. O primeiro, chamado de “pedagogias” – ensino básico. (1817).
COMPETÊNCIAS DA LINGUAGEM
• ESCUTAR
• FALAR
• LER
• ESCREVER
UNIDADES LINGUÍSTICAS:
• TEXTO
• FRASE
• PALAVRAS
• LETRAS
QUAIS SÃO OS PRIMEIROS CONTATOS DA CRIANÇA COM A LEITURA?
• A prática de ler ou ouvir histórias
• A interação com o material impresso de tipo urbano e doméstico.
• A leitura do jornal.
• A leitura e a escrita em ambientes informatizados.
AMBIENTE ALFABETIZADOR:
• Ambiente que promove situações reais onde a criança aprender a usar a leitura e a escrita, interagindo com seu ambiente através dos códigos da linguagem e suas funções.
LEITURA:
• É organizada de forma atraente, num ambiente aconchegante, livros de diversos gêneros, de diferentes autores, revistas, histórias em quadrinhos, jornais, suplementos, trabalhos de outras crianças, etc.
JOGOS DE ESCRITA:
• No ambiente criado para os jogos de mesa, podem se oferecer jogos gráficos, como caça palavras, forca, cruzadinhas, etc. Nesses casos convém deixar a disposição das crianças cartelas com letras, letras movéis, etc. Em casa pode-se brincar de baú do tesouro, adivinhação, mímica, etc.
LETRAMENTO (LITERACY):
• “Formar é muito mais que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas e ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”.(PAULO FREIRE).
• “Ler não é decifrar, escrever não é copiar” (EMÍLIA FERREIRO).
• Sociedades grafocêntricas: o letramento está diretamente ligado às sociedades letradas, ou seja, sociedades organizadas em torno de um sistema de escrita. (Mortatti, 2004).
• Magda Soares: “novas demandas sociais de uso da leitura e da escrita exigiram uma nova palavra para designá-la.”
• Literacy: do latim littera (letra) com sufixo -cy que significa qualidade, condição, estado de ser.
• Letramento: também do latim littera (letra) e adicionado o sufixo –mento que significa ação.
• Resultado de uma ação de ensinar e aprender: letramento.
• Letramento: estado ou condição de letrado, o que não significa um letrado ser exatamente erudito.
• O que é um analfabeto?
• O que é um analfabeto funcional?
• O que é um analfabeto político?
• Alfabetizar letrando ou letrar alfabetizando?
• A ação socializadora da escola ainda pode ser vista como um aprendizado crescente ou o indivíduo se torna ator diante da diversidade, onde ele mesmo constrói o sentido e a história de sua existência?
• Dubet e a desinstitucionalização das instituições cuidadoras do próximo.
- Antes da ligação entre pensamento e linguagem, devemos lembrar de dois processos primordiais:
Filogênese: a história das espécies.
Ontogênese: a história do indivíduo.
“Existe a história do pensamento separado da linguagem e a história da linguagem separada do pensamento.”
Filogênese <--------------------------------> Ontogênese
Quando as duas trajetórias se encontram, o pensamento fica verbal e a linguagem, racional (...) – Ana Paula Carneiro Renesto, 2009.
• “Não há dúvidas de que a memória é o estômago da mente. Da mesma forma que o alimento é trazido à boca pela ruminação, assim as coisas são trazidas da memória pela lembrança”. (Santo Agostinho)
• Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos seu processo mental. Durante a leitura nossa cabeça é apenas o campo de batalha de pensamentos alheios. (Arthur Schopenhauer)
• “Existe um mundo que acontece pelo desenrolar lógico da história, em toda a sua crueza e insensibilidade. Mas há um mundo igualmente concreto que nasce dos sonhos: A Pietà de Michelângelo, o Beijo, de Rodin, as telas de Van Gogh e Monet, as músicas de Tom Jobim, os livros de Guimarães Rosa e Saramago, as casas, os jardins, as comidas: eles existiram primeiro como sonho, antes de existirem como fato. Quando os sonhos assumem forma concreta, surge a beleza.” (Rubem Alves)
PESQUISA REALIZADA COM LEITORES E NÃO-LEITORES: INFLUÊNCIAS NA PRÁTICA LEITORA.
• 49% - Mãe ou responsável Mulher;
• 33% - Professora;
• 30% - Pai ou responsável homem.
• Mais de 60% presenciaram familiares lendo.
• 55% dos não leitores nunca viram nenhum familiar lendo e nunca se interessaram.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FERREIRA, Emília; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artmed, 1999.
FERREIRA, Emília. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, Autores Associados, 1988.
SOARES, Magda. As muitas facetas da alfabetização. São Paulo: CEALE/Autêntica, 1998.
SOARES, Magda. Alfabetização e letramento. São Paulo: Contexto, 2004.
ROCHA, Eloisa Aires Cabral. A pesquisa em educação infantil no Brasil: trajetória recente e perspectivas de consolidação de uma pedagogia. 1999. TESE (Doutorado em Educação), Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1999.
REDIN, Euclides. Atendimento à criança pequena no Brasil. Idéias. São Paulo, FDE, 1988.
PALHARES, Marina Silveira, MARTINEZ, Cláudia Maria Simões. A educação infantil: uma questão para o debate. In: FARIA, Ana Lúcia Goulart de, PALHARES, Marina Silveira (Orgs.) Educação infantil pós LDB: rumos e desafios. Campinas: Autores Associados, FE/UNICAMP; São Carlos: Editora UFSCar, Florianópolis, Editora da UFSC, 2000.
NICOLAU, Marieta Lúcia Machado; DIAS, Marina Célia Moraes (Orgs.). Oficinas de sonhos e realidade na formação do educador da infância. Campinas: Papirus, 2003.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário